
Vou iniciar o meu Dossiê de inclusão relatando um pouco sobre a Joana, a menina da foto. Atualmente ela tem 25 anos, ela tem Síndome de Down, quando nasceu a sua familia não tinha condições para colocá-la em uma escola especial, a única escola que aceitava crianças com Down ficava muito longe e não tinham como levá-la.
Joana viveu e cresceu sempre cercada de mimos e cuidados,a mãe sempre achou que ela não conseguiria se defender, caso fosse necessário.Sua mãe se sentia e ainda se sente culpada por ela ter tido uma filha com Down.
Aos nove anos ela começou a frequentar uma turma regular, mas não acompanhava o desenvolvimento da aula.A professora deixava ela sair e voltar quando queria, por isso não levou muito a sério e não conseguiu se alfabetizar. ela sempre demonstrou muito interesse por música e instrumentos musicais, já teve um violão, teclado, gaita e outros.Mas não tem muita persistência, logo desistia, não aprendia por notas musicais.
Joana é uma eterna criança, pois depende muito de um adulto, isto porque não foi estimulada a fazer pequenas coisas da casa como: varrer, arrumar a cama, lavar uma louça.
Crianças com Down tem uma característica muito especial, elas são muito amigas das pessoas que as cercam, no caso sua família.
Quero relatar uma experiência que vivi no domingo de Páscoa. Fui visitar minha cunhada que está na coordenação de um asilo em Taquari. Lá eu vi o que realmente é inclusão. Lá tem pessoas idosas e crianças, a maioria não tem
familiares que olham por eles, a maioria são levados para lá e esquecidos pela família. Aí entra o trabalho de toda uma equipe de pessoas ligadas a entidade para deixar um pouco menos sofrida a vida dessas pessoas que ali estão.
Tem idosos com problemas mentais e físicos muitos sérios, eles sentem uma necessidade enorme de conversar, de tocar, abraçar . Vendo uma situação como aquela tive certeza de que num lugar como aquele também existe inclusão . Não só por parte do pessoal que trabalha lá, mas pelos próprios internos, uns ajudam os outros, é comovente ver a solidariedade que existe entre eles.
Além de idosos, o asilo abriga crianças abandonadas. A maioria são crianças que o conselho tutelar tira dos familiares por não terem condições de ficar com eles. lá eles estudam, tem atividades extras, projetos de várias modalidades. É admirável o trabalho que eles realizam com estas pessoas que amam a vida apesar de terem dificuldades em muitas coisas.
UNIDADE 2
POLÍTICAS PÚBLICAS BRASILEIRAS EM EDUCAÇÃO ESPECIAL E PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA
Trabalho na E.E.E.F. Dr: João Daniel Hillebrand. Pela manhã tenho uma turma de quarta série e a tarde um primeiro ano. Temos 550 alunos na escola, 23 professores e 5 funcionários.Temos o ensino fundamental completo e a noite EJA.
Na escola não existem turmas especiais de inclusão, mas temos alunos de vários tipos de necessidades educacionais especiais, não temos alunos com problemas físicos, mas neurológicos, alguns com diagnóstico do médico, outros não.
Vou descrever um pouco sobre a turma do segundo ano, onde temos vários alunos com necessidades educacionais especiais,conheço bem os casos, pois alguns foram meus alunos em 2008. Assim como tem os casos de dificuldades na aprendizagem, também temos os casos emocionais , familiares e sociais.
Esta turma é composta de 30 alunos, 16 meninos e 14 meninas. Existem alunos com dificuldades cognitivas, mas os casos mais críticos são os de falta de limites acompanhado de dificuldade na aprendizagem. Em alguns casos a família totalmente ausente. Depois da escola muito insistir, alguns pais estão procurando ajuda profissional para diagnosticar se tem ou não algum problema neurológico.
Os alunos com necessidades educacionais especiais e os pais tem condições financeiras para pagar as passagens até o centro da cidade são encaminhados para ter acompanhamento pelo EDUCAS, é uma parceria com alunas da pedagogia da UNISINOS.
Temos leis que amparam estes alunos a terem um atendimento adequado em cada caso, apenas nos resta esperar pelo cumprimento da lei. Nós professores estamos segurando sozinhos mais esta demanda, pois não temos na rede estadual professores treinados para atuarem nas escolas com esses alunos.
A Constituição Federal de 1988 significou um avanço para a educação no Brasil, onde um dos objetivos fundamentais é a promoção do bem de todos, sem preconceitos, dando assim o direito de todos à educação, visando seu preparo para a cidadania, qualificação para o trabalho, isto é, o pleno desenvolvimento do ser humano, garantindo a permanência na escola.
A Lei de Diretrizes e bases da Educação-Nacional- 1996 prevê: Haverá serviços de apoio especializado na escola regular para garantir o acesso e permanência destes educandos preferencialmente nas escolas públicas. A partir desta interpretação legal é possível notar que estamos vivendo uma nova era educacional.
Fazendo uma comparação com o que as leituras propostas e a realidade que a escola oferece, podemos dizer que a inclusão é uma utopia na realidade escolar que eu trabalho. Não temos profissionais habilitados para realizarem o apoio necessário. O PPP e o RE não prevêem a inclusão do aluno com necessidades educacionais especiais, nem oferecem condições para atendê-los individualmente para que pudesse permanecer na escola com dignidade e exercendo os seus direitos de cidadão.
Apoio:
Constituição Federal de 1988
A nova LDB
UNUDADE 3
SERVIÇOS DE ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO
Trabalho na Rede Estadual em São Leopoldo a 11 anos , sempre na mesma escola. Até então a escola só atende os alunos com dificuldades especiais de aprendizagem . A escola através do Projeto Escola Aberta, oferece aulas de reforço escolar nos finais de semana. Aqueles alunos que reprovam ou têm muita dificuldade na aprendizagem são encaminhados ao EDUCAS, que é um Projeto vinculado com alunos da pedagogia da UNISINOS , que atendem vários alunos da rede estadual e municipal.
O estado não oferece serviços de apoio especializado, nós professores precisamos atender todos os tipos de inclusão que tivermos em nossa sala. Na nossa escola tiraram até a orientadora educacional que nos auxiliava bastante.
Ela chamava a família para uma entrevista e indicava uma ajuda profissional, de acordo com cada caso para oferecer o melhor atendimento.
Os alunos encaminhados ao EDUCAS , muitos deles não tem recursos financeiros para se dirigir ao centro da cidade, uma vez que a escola localiza-se na periferia.
Eu penso e acredito que os órgãos responsáveis deveriam olhar um pouco mais para as nossas crianças da Rede Estadual, por que essa discriminação prejudica muito a evolução na aprendizagem, a auto-estima dos nossos alunos. Eles se sentem fracassados quando não podem acompanhar a maioria dos colegas para a série seguinte.
ESTUDO DO CASO
Vou contar a história de um aluno que acompanho já a 7 anos , atualmente ele está na 3ª série. Iniciou com 7 anos a primeira série, foi meu aluno várias vezes. Ao ingressar, logo percebemos que ele seria um aluno com necessidades especiais de aprendizagem. Reprovou várias vezas na 1ª e na 2 ª séries, atualmente está repetindo a 3ª série.
O aluno apresenta um retardo mental de 5 anos comprovado por especialistas . Parou de frequentar o EDUCAS por dois anos, atualmente está indo, só que é apenas uma vez por semana.
Se o governo desse recursos humanos, uma pessoa seria suficiente para ajudar esses alunos na aprendizagem, poderíamos montar uma sala de recursos como existe no município pelo menos para atender os alunos com dificuldades no contra turno. Tenho certeza que muitos dos nossos alunos teriam mais chances de superar as dificuldades e elevar a autoestima,ficando mais satisfeitos com eles mesmos e não mais se denominariam de incapazes.
Continuação O aluno que estou acompanhando neste caso , continua frequentando o atendimento especializado do EDUCAS.Atualmente está muito autoconfiante, mesmo ele não sendo meu aluno de sala de aula, diariamente vem me procurar para falar sobre o progresso que vem tendo na leitura. Eu insentivo ele bastante, inclusive vem para a escola no turno contrário para ir ler na biblioteca e então vem me visitar na minha sala de aula. Ele ficou um pouco triste , porque a professora teria dito a ele que não estava adiantando nada ele ir no EDUCAS, que igual não estava aprendendo. Conversei muito com ele e disse que não ligasse pois a professora estava irritada com os outros alunos e então só disse isto da boca pra fora. E prometei que vai continuar se esforçando para sempre aprender mais , pois o sonho dele é ir estudar no quartel, como o irmão dele.
O problema deste aluno além do retardo mental também seu emocional está bastante abalado, porque seu pai é muito autoritário, bate na mãe e ele fica entre os dois para separá-los, também pode ter agravado o problema dele, assim bloqueando sua aprendizagem. Atualmente está um pouco melhor a relação dos pais, ele mesmo me contou. Ele está muito feliz com o progresso dele, é uma criança grande. Não está medicado, apenas com o atendimento especializado e aos finais de semana com aulas de reforço na escola dentro do Projeto Escola aberta.
QUAIS AS PRÁTICAS PEDAGÓGICAS INCLUSIVAS POSSÍVEIS DE SEREM EFETUADAS EM SALA DE AULA COM O SUJEITO ESCOLHIDO POR VOCE PARA O ESTUDO.
As práticas educativas que estão sendo efetivadas para atender melhor o aluno que citei no estudo do caso são de incentivá-lo a não desistir nunca de querer aprender mais, mesmo sendo difícil para ele , não deixar que desanime, que não abale sua autoestima. Na sala de aula a professora dele começou a trabalhar mais em duplas, colocando o aluno com um colega que possa ajudá-lo quando precisar, pois a professora tem mais um aluno com necessidades especiais de aprendizagem e fica complicado o trabalho da turma. Como ocorreu no documentário, a turma toda precisa ser preparada para ajudar estes colegas e não menosprezá-lo. Quando ele era meu aluno tinha atividades extras que oferecia a ele diferentes dos outros Não adianta só copiar sem saber o que está copiando. A direção já aconselhou a mãe a procurar uma escola do município, pois tem mais recursos pedagógicos, mas ele não quer diz que tem todos seus amigos na escola, se fosse para outra escola não teria mais amigos. Converso bastante com ele, inclusive vem retirar livros infantis na minha sala a cada dois dias.
DE QUE MANEIRA A PRESENÇA DE ALUNOS COM NEEs NO ENSINO COMUM PODE CONTRIBUIR PARA A FACILITAÇÃO DAS APRENDIZAGENS DE TURMA COMO UM TODO.
A presença dos alunos com necessidades especias em salas regulares, vem ajudando os outros alunos a serem mais solidários e compreender que não somos todos iguais, que precisamos entender e respeitar as limitações de cada um. A nossa escola é pequena e todos se conhecem. Todos precisamos ter paciência para que os alunos com necessidades especiais aprendam o necessário para a vida .
A inclusão de alunos com necessidades especiais em salas regulares é um direito deles, pena que ainda tem pessoas que acham que só atrapalham os demais alunos,é lógico que o professor precisa de muito mais agilidade nas suas ações, mas com a ajuda dos demais alunos, acredito ser possível a aprendizagem para todos os alunos da sala.
UNIDADE 7 AVALIAÇÃO DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA
a) Que aproximações existem entre as idéias trazidas nos textos sobre avaliação e seu estudo de caso?
A avaliação sugerida nos textos não condiz com a que é feita com o aluno que estou acompanhando . O texto sugere que seja primeiramente feita uma identificação da gravidade da situação do aluno com NEs. Já o aluno que acompanho é avaliado conforme os demais alunos, através de provas escritas.Em 2008, ele era meu aluno na segunda série e quando avancei ele para a terceira série para estimulá-lo a não desistir de tudo, a professora da terceira me criticou muito, por não estar totalmente alfabetizado. Ele até responde questóes oralmente, apenas na escrita ele não consegue colocar no papel tudo que gostaria.
b) Quais as contradições em relação ao que foi observado?
Acho que a maneira de como é trabalhado com este aluno para que haja aprendizagem, a falta de auxílio por parte dos órgãos responsáveis em manter o aluno de inclusão na escola pública estadual, a inclusao está sendo feita, mas apenas colocando estes sujeitos na sala de aula, não temos profissionais para auxiliar o aluno e o professor para cumprir seu papel perante este aluno que é ajudá-lo, nem sempre é possível, ainda mais com as salas lotadas e sem uma ajuda.
c) Como é feita a avaliação do sujeito da pesquisa durante o ano letivo(parecer descritivo, por exemplo)?
Como já mencionei anteriormente, a avaliação deste aluno da pesquisa não tem diferencial dos outros alunos da série. São realizadas provas , onde ele precisa ler, interpretar, responder. Consegue realizar pequenos cálculos, mas problemas não consegue fazer . A professora já concluiu que não terá condições de ser aprovado ao final do ano. Não sei se não irá desistir,pois agora já não fica com seus colegas deste ano e sim com os colegas do ano passado, que estão na quarta série.
d) Essa avaliação da conta das possibilidades e competências do sujeito observado?
Não são realizados trabalhos extra classe com este aluno para que supere as dificuldades e desenvolva as competências necessárias para um avanço na sua escolaridade e tenha mais autoconfiança. Uma sala de recursos seria o ideal para a nossa escola. Se a coordenadoria nos desse um professor, com certeza nossos alunos com NE teriam todas as possibilidades de superar a maioria das dificuldades.
Ao meu ver os alunos com necessidades especiais deveriam ter uma avaliação contínua, sem data marcada para realizar provas.
ESPERO QUE NOSSOS GOVERNANTES DÊEM A DEVIDA ATENÇÃO QUE MERECEM OS NOSSOS ALUNOS COM NECESSIDADES ESPECIAIS.
"Inclusão não é favor nem caridade. É respeito com o diferente"
Comments (8)
lenise.pead@... said
at 10:11 pm on Apr 21, 2009
Oi!
lenise.pead@... said
at 10:17 pm on Apr 21, 2009
Marlene, os teus relatos estão bem detalhados e claros. A partir deles percebemos o seu envolvimento com a temática de nossa interdisciplina e o quanto estás sintonizada com os processos inclusivos que estão colocados além dos espaços escolares, mas que, apesar disso, permanecem como movimentos sociais voltados para práticas inclusivas emancipadoras. Muito bem!
Profª Lenise
lenise.pead@... said
at 10:32 am on May 2, 2009
Oi!
lenise.pead@... said
at 10:37 am on May 2, 2009
Marlene, a análise da tua realidade profisisonal em relação ao tema "políticas de inclusão escolar" demonstra o teu envolvimento com a temática abordada na interdisciplina, assim como com as leituras solicitadas. Parabéns! O teu dossiê de inclusão está sendo construído de forma rica e aprofundada.
Profª Lenise
lenise.pead@... said
at 3:46 pm on Jun 14, 2009
Marlene, o registro das tuas atividades referente a Unidade 3, Parte A e Parte B estão bem escritos, com fundamentação teórica e reflexões pessoais que revelam o teu envolvimento com a proposta de trabalho da Unidade 3. Parabéns pela produção intelectual que está deixando o teu dossiê de inclusão muito enriquecido.
Profª Lenise
lenise.pead@... said
at 3:51 pm on Jun 14, 2009
Marlene o registro escrito sobre a Unidade 5 apresenta fundamentação teórica e revela o teu entendimento sobre a síndrome de autismo permitindo localizá-lo em um aluno do teu contexto de trabalho. Continue investindo em produções teóricas que evidenciam o teu potencial para o reconheciemnto de práticas pedagógicas inclusivas.
Profª Lenise
Gi said
at 12:24 pm on Jul 7, 2009
Marlene.. Para a construção de uma educação inclusiva, tal como é defendida, é necessário uma ação fundamentada pelo princípio da não segregação, ou seja, a inclusão de todos, quaisquer que sejam suas limitações e possibilidades individuais e sociais. Que não exclua educando algum, principalmente os portadores de deficiência. O sentido especial da educação consiste no amor e no respeito ao outro, na busca para melhor favorecer o crescimento e desenvolvimento do outro. Segundo Gentili: “Atualmente, o pensamento educacional tem apontado para a direção da elaboração de um currículo especial para cada escola, no sentido de que cada uma configura uma realidade específica, determinada pela combinação dos fatores internos e externos que atuam na sua organização e funcionamento. Tal currículo deve ser especial, no sentido de que deve ser elaborado para atender às necessidades únicas de cada escola do sistema de ensino, em função das reais necessidades de seus alunos, e não para atender categorias ou tipos idealizados dos alunos. À medida que essa idéia for, sendo concretizada, é possível que as diferenças entre educação comum e educação especial irão também diminuindo. Em nessa tendência, poder-se-á chegar ao ponto em que o que há de especial na educação especial e, conseqüentemente, no currículo especial se converta em um dos elementos de uma ação sócio-educacional global, que assegure na medida necessária, interesse por cada membro da comunidade, seja qual for sua condição e o tipo de auxílio que necessite (Gentili 2001: 43)”.
Teus relatos contemplam os objetivos propostos para este eixo!
Gi said
at 12:24 pm on Jul 7, 2009
Para refletir:
“Certamente, um professor que engendra e participa da caminhada do saber "com"seus alunos consegue entender melhor as dificuldades e as possibilidades de cada um e provocar a construção do conhecimento com maior adequação (MANTOAN, 2003, p. 77).”
Um abraço, bom final de semestre e até o próximo! Gi
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